terça-feira, 22 de maio de 2012

Diário do cigarro III: Recaídas

Óbvio. Era fim de semana, eu na casa dos meus pais - ambos fumantes - e som alto, mais álcool.
O lance legal é que eu não cheguei a passar dos 5 cigarros, em nenhuma situação, até agora. Às vezes fumo 5, mas no outro dia fumo dois. Depois fumo um, depois 3. Oscila, mas não aumenta. O que acontece é que não consigo mais fumar mais que 5 cigarros sem ficar bodiada. Que bom.
É que já percebo que estou passando dos limites, que daí "não vale", etc. O cigarro da manhã e de durante o dia, no entanto, foi completamente abolido. Eram os cigarros que mais me faziam mal. 
Um outro lance que ando aprendendo é fumar de pouquinho em pouquinho o mesmo cigarro. Cansou? Apaga. Começa de novo depois. Hoje, quando vi, tinha fumado um, durante o dia todo. Foda é que apagar metade de cigarro dá um pouquinho de trabalho, mas enfim. Parar de fumar dá um trabalhinho mesmo.
Logo quando estresso, por qualquer coisa, já penso "véi, merecia um cigarro agora". Mas nem merecia, na verdade. É banal, cigarro. Estresse passa e cigarro acaba. Fica só cinza e amargura no final. Que triste, gente. Fumar, só na alegria agora, porfa. Com direito a tonturinha e tudo.

sexta-feira, 18 de maio de 2012

Dom Quixote

Nunca na vida trocamos palavra alguma e, com tudo isso, eu o quero tão bem que não poderei viver sem ele. Isto é, senhora minha, tudo o que vos posso dizer deste músico cuja voz tanto contentamento vos deu: e somente nela bem podereis ver que não é moço de mulas, como dizeis, e sim senhor de almas e lugares, como vos tenho dito
Lembrei de algumas pessoas...

quinta-feira, 17 de maio de 2012

Diário do cigarro II: Sem tosse

Primeira coisa que pensei quando abri os olhos hoje: "não acredito que não tô tossindo". Acordei sem tossir. Glória. Achei incrível, contribuiu pro meu bom humor do resto do dia. É que fumantes, quando acordam, tossem por não conseguirem respirar fundo. Sabe bocejo? Então. É isso que provoca a tosse nos fumantes pela manhã, aquele golpe de ar que dá uma sensação gostosa, mas não em quem fuma. Coitados dos nossos pulmões. Sentia falta de bocejar de manhã sem tossir. Legal. O gosto na boca também foi igualmente incrível de sentir. Nossa. Sem cheiro de cigarro nos dedos. Nossa. Foi tão legal acordar hoje, sério. Acordei atrasada - óbvio -, mas acordei bem. Bem melhor do que em muito tempo...
Depois o dia correu bem, já sem tanta falta do cigarro. Encontrei minha mãe e ela disse que eu tava com a cara boa. É claro, né. 
Na real, acho que o cigarro começou a me atrapalhar quando eu percebi que tinha esquecido completamente do meu cabelo. Eu gosto de deixar ele pra trás, mas não sempre, né. Eu gosto dele todo pra frente ainda. Só que esqueci, com o tempo, de arrumar meu cabelo. Largava ele pra cima e pronto, foda-se. Por quê? Porque ia fumar, mesmo. Fumar vários cigarros com o cabelo solto é pedir pra lavar o cabelo de novo no dia seguinte, porque o cheiro fica insuportável - ainda mais em cabelos volumosos e compridos como os meus. Ou seja: cigarro, pra mim = cabelos maltratados.
Daí, na terça - primeiro dia quase sem cigarros - eu saí por aí com o cabelo solto. Entrei em dois lugares e as conversas pararam, recebi cantadas e "bom dias princesa" de homens (e uma mulher, numa hora, mas sem o princesa hahahaha). Daí fiquei bem. Melhor ainda. E respirando, sem perder o fôlego no fim da Alameda Campinas, com disposição pra sair de novo mais à tarde, mais vontade de estudar piano - me ajuda a distrair do cigarro -, mais vontade de tudo.
Foi quando parei pra fumar o meu único cigarro do dia que percebi o grande contraste: bodiei. Nossa, quis sentar numa cadeira e lá ficar, larguei de mão do mundo por um momento. A sensação é gostosa, mas assusta, quando vista dessa forma. Estranho é saber que não tinha percebido o efeito que o cigarro tinha sobre mim. Efeito ruim, quando prolongado.
Legal, né, essa coisa de parar de fumar. Só prós até agora.

quarta-feira, 16 de maio de 2012

Diário do cigarro I

(vou atualizar aqui. uma pequena mudança nos termos - bear with me! - foi necessária após perceber que parar de vez não ia rolar, não. portanto, um cigarro por dia é o limite (bem melhor que 15 por dia, né?). pode ser fumado aos pouquinhos durante o dia - tipo um nicoreti de pobre -, ou inteiro. Mas um, apenas. ah vá, fair enough. eu sei que prometi, mas vício é vício. o importante é que ainda estou na empreitada.)

Primeiro dia - 10 cigarros viraram 1


A primeira coisa que se nota quando se está há mais de 15 horas sem fumar é o mal humor que isso provoca. Mal humor, impaciência, raiva. Eu adorei a sensação de querer explodir a Pamplona enquanto a subia. Sob o efeito do cigarro tudo parece sossegado, tudo parece... passível de reclamações. E é aí que você se fode, e é aí que você vira uma pessoa submissa: quando você deixa de reclamar. Agora, sem o cigarro, há aquela vontadezinha de matar todo mundo. Não que eu ache certo ficar explodindo por qualquer coisa, mas foi legal ficar peitando as pessoas, vendo-as assustadas comigo. hahaha
Outra coisa legal de ficar sem fumar é que, quando você fuma, você tem aquela sensação do primeiro cigarro de novo - que é o barato da coisa, na real. Então você aproveita mais do que quando fuma um maço por dia. É muito, muito mais gostoso, vira mais um ritual do que um vício. Seria legal se a coisa encaminhasse pra isso, pra um ritual. Sei lá.
Interessante foi perceber que, com 3 cigarros "seguidos" posteriormente, durante a noite - tava bebendo, poxa - eu fiquei com aquela ressaca de nicotina. Incrível! Dei risada até. Três cigarros me bodiaram! As if. O corpo humano é esperto pra caralho. Nem um dia inteiro sem fumar e já começou a rejeitar a nicotina, achei demais.
Quando vem a sensação de querer fumar eu penso no cheiro ruim no meu cabelo, na casa, em tudo, penso no gosto que fica na minha boca e logo esqueço da vontade. Tenho esses dois lados: sinto falta do cigarro e fico feliz por estar conseguindo resistir a ele.
Porque veja: num dia normal eu fumaria 1 cigarro ao acordar (com o café); depois 1 cigarro no intervalo da faculdade; depois 1 cigarro depois do almoço; depois 1 cigarro depois que voltasse pra casa; depois uma média de 6 cigarros em casa, durante o dia; depois 1 antes de dormir. Dez cigarros no dia viraram... 1. Bão começo, né?

terça-feira, 15 de maio de 2012

Parando por aqui (prometo)

Cigarros me ajudam ao longo do dia, mas venho cansando deles cada vez mais. Fumaça, cheiro ruim, etc. Eu gosto de perfume. O cigarro me priva disso. Cigarro custa dinheiro. Muito dinheiro pro meu gosto. Deve sair mais de cem por mês. Cigarro dá trabalho.
Quase sempre, quando acabo de fumar um (cigarro, veja bem), eu penso que conseguiria parar, se tentasse. Já tentei diminuir, mas realmente não deu certo pra mim, apesar de ter dado pra muitas pessoas que conheço. O negócio é parar. Então decidi transformar o pensamento em texto pra ver se me ajuda. Amanhã, sem cigarros. 
Daqui uma semana, sem cigarros. Depois duas, depois três, talvez. Prometo. Promessa pra mim é dívida, e é a primeira vez que prometo algo assim. (só não vale engordar) 

Isso aqui vai virar o diário da ex-fumante. Bear with me.

Termos:
  • Cigarros não serão mais acendidos nem na rua, nem em casa (a parte mais difícil).
  • Nada de maço na bolsa "pra caso eu surte"
  • Cigarros serão aceitos nas seguintes circunstâncias, a seguir

1. Estresse pleno (ex.: ataques de ansiedade)
2. Felicidade plena (ex.: Noel Gallagher vem jantar aqui em casa, ou yay, arrumei um emprego ou yay, ganhei na loteria etc)
3. Noites de bebedeira (um cigarro/noite)


Há 6 cigarros no meu último maço agora. Meta: os 6 cigarros deverão durar até dia 30 de maio (15 dias).
Daí conforme os dias forem passando irei narrando as melhoras físicas, possíveis alucinações e crises de abstinência. Vai ser divertido.

domingo, 13 de maio de 2012

Cartinha (apenas)

Mãe,
Olho pra você e percebo que está contente com o que se tornou. Mas logo vejo que não. De repente noto que você já quer mudar, porque abomina a rotina. Você prefere seguir em frente em vez de estacionar, não como uma guerreira heroína, mas como simples degustadora da vida. Você saboreia a vida assim como saboreia seus livros, drinques, seus momentos sozinha. E a mim.
Sim, você me saboreou como algo novo, me recebeu em seus braços sem medo... decidiu se divertir comigo, enfim, assim como sempre foi - por toda sua vida, antes de mim. Gosto do jeito com o qual você lida com problemas. Problema, pra você, é novidade. É página nova de livro novo que você nunca leu. Passada a página, passado o problema, lido e resolvido por você. Aposto que, então, você lambe os beiços e pensa "e agora, que venha o próximo". Você é uma saltadora exímia de obstáculos.
Quantos desses obstáculos não saltamos juntas - e quantos deles não saltastes por mim? Eu te amo. Ai de mim, tentar descrever você. Nunca vou te descobrir inteira, e é aí que reside a graça. A única coisa que sei ao certo é que temos nos divertido muito nos últimos quase vinte anos. É um prazer ter te conhecido. E continuar te descobrindo. Mãe, amiga, conselheira, que seja! Livre. Você é livre.

 Ana Cursino (a pitanga)

quarta-feira, 9 de maio de 2012

Quem sabe, um dia

Olho pra mim e não vejo nada.
Leva tempo, ver.
Não vejo absolutamente
E canso de tentar.
Não quero que me conheçam.
Sou tão pela metade, um
"quase" ambulante que não sabe o que faz,
Ama demais, e pra quê?

Um acerto pra cada dois erros
E estamos no caminho certo
Um talento que não interessa a ninguém
E continuamos ladeira acima,
Que atrás vem gente

Quem sabe, um dia eu chego lá